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Como está o terceiro setor hoje?

19 de janeiro de 2016
Para falarmos da situação do Terceiro Setor no presente, é necessário antes uma sucinta retrospectiva. Há anos, quando surgiu o denominado atualmente como Terceiro Setor, este tinha a árdua missão, que permanece até os dia atuais, de complementar ações desenvolvidas pelo poder público com objetivo de alcançar bem estar social, direito garantido pela Constituição Federal: educação, emprego, saúde, cultura, lazer, segurança e tantas outras.

Se estivesse funcionando a contendo a máquina pública, o Primeiro Setor, não haveria necessidade de surgimento de um Terceiro, logo, fica evidente o descontentamento da sociedade e, exceções à parte, o consenso popular sobre a ineficiência dos governos em suas variadas esferas.

A insatisfação nasceu recheada de estereótipos, tais como: “O primeiro setor...............
.........realiza programas que estimulam a dependência e favorece a “indústria da fome”;
........ utiliza os recursos financeiros da sociedade mas não consegue mudar realidades;
........ não é transparente quando presta contas dos recursos utilizados;
.........contrata pessoas sem conhecimento e que não conseguem desempenhar suas funções;
.........recebe recursos para um fim e utiliza-os em outros;
.........nem sempre aplica os recursos no que é prioridade;
.........muitas vezes serve apenas como “cabide” de empregos;
.........promove ações sociais que são apenas paliativos e não resolvem o problema;
.........não houve a população interessada, não faz diagnóstico dos problemas sociais, por isto as vezes gasta no que não precisa ou de maneira equivocada;
.........muitas vezes suas ações promovem mais os “egos” dos idealizadores políticos do que qualquer transformação merecedora de exaltação;

A minha pergunta e proposta de reflexão é a seguinte: Há alguma semelhança entre o primeiro setor descrito acima e alguma ONG que você conheça?

Espero que as respostas sejam, em sua maioria, “não”. Pois muito me afligiria a idéia de ter que nascer um “Outro Setor” para tentar complementar e corrigir as ações do Terceiro.

Felizmente, a grande maioria das ONGS que conheço estão fora deste perfil, mas reitero que esta é uma de nossas missões, como cidadãos atuantes e conscientes de nosso papel e de nossas responsabilidades: não permitir que o Terceiro Setor (até por desconhecimento) se transforme no Primeiro. Esta transformação não seria benéfica em nenhum aspecto, pois não gostaríamos que o Terceiro Setor cometesse os mesmos erros do Primeiro e nem podemos almejar que aquele tome para si funções deste, pois deste modo a administração pública se tornaria inútil.

Não posso deixar de registrar que conheço muitas ações brilhantes de órgãos públicos e de ONGS, dignas dos mais altos elogios. Minha intenção não é generalizar má atuação de um e nem do outro e sim despertar sobre o que precisamos evoluir como sociedade civil organizada.

Como colaboração podemos oferecer, cada um de nós nossa contribuição pessoal e profissional, atuando de alguma forma junto à ONG’S (associações ou fundações sem fins lucrativos), seja trabalhando como voluntários, fiscalizando, capacitando, sensibilizando, assessorando, etc.

O Terceiro Setor nasceu para fazer a diferença e por isto precisa ser diferente do estereótipo que temos do primeiro, ou seja, precisa conhecer as necessidades da população (diagnóstico), usar os recursos em prioridades, saber prestar contas, obedecer as leis, empregar por merecimento e não por conhecimento, desenvolver ações sócio-transformadoras e impactantes, divulgar suas ações e resultados para a sociedade, mudar realidades.

Infelizmente estamos num país miserável por escolha e com alto número de analfabetos, onde seria utopia dizer que ações paliativas, emergenciais, que aliviam o momento mas não transformam não seriam necessárias, tais como doação de uma sopa, uma cesta básica, um medicamento e outras semelhantes, ações estas que eu chamo de assistencialistas sem nenhum sentido de desmerecimento, pois são na verdade assistências, importantes e necessárias. O quanto seria pior se tais ações não existissem?

Mas o melhor que é elas não fossem necessários e por isto defendo a idéia de que não podemos nos contentar em sermos, nós, sociedade civil organizada, apenas iguais na apatia governamental que tanto nos incomoda.

Para isto, precisamos muitas vezes nos despir do orgulho e comodismo e pensarmos cada um de nós (cidadãos, empresas, ONGS) em nossa co-responsabilidade e o quanto somos de fato protagonistas sociais ou mero expectadores.

Por: Ana Cláudia P. Simões Lima